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sexta-feira, 5 de abril de 2013

perto dela não sentia fome

perto dela não sentia fome
não sentia o frio dos pingos.
mas era despedir-me
para sentir estômago roncar
e o peito arrepiar.

perto dela eu só tremia
suava, corava, gemia.
sem conseguir disfarçar sorriso
e desviando o olhar.

e o ônibus desliza pela noite carioca
humaitá
revelando o primeiro beijo noir.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

pra nunca mais

como uma rápida facada
na cabeça
assim ela descrevia a dor

instantes-segundos de tortura
eu sem poder
olhos d'água
mãos tentando cobrir
o choque injusto
minhas mãos atadas sobre o colo
no banco de trás

quantas vezes voltaria
o pavor ao crânio dela?

cruel roleta-russa
dardo fantasma a atacar
queria ser escudo
como proteger
e evitar?

a flecha não avisava chegada
tomando banho
dormindo
no cinema
no gozo
lavando louça
no banco do ônibus cruzando o flamengo

quisera segurar-lhe a cabeça
com ela
apertar o corpo junto
ostra
abraçar
beijar-lhe toda depois
concha
carinhar

mas as mãos sobre o colo no banco de trás.

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