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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

do bairro preferido


cada ruela deserta
cada trecho
chão em flor
a brisa
o papo nas cadeiras de praia na esquina da igreja
a praça serena
um homem apenas
o boteco exótiko
e o restaurante chique
o corredor de janelas azuis da eterna casa do príncipe
as casas sem muros
o bairro mais antigo
o cachorro que passa e olha
os tantos barquinhos do cais
não parece que o mundo parou
parece um refresco
o pescador tira a água do barco com um potinho
o senhor de blusa e sunga passa com seu boné, tênis e rede para pescar
não há barulhos
passa um jet ski
a moça de maiô está sendo fotografada
passo de bicicleta e ouço o radinho ligado em uma casa
tento mas não consigo ver seu interior
meu desejo é conhecer o interior dessas casas, dessas vidas
duas mulheres com adolescente meninas passam falando sobre gelatina
vão pegar o barco para atravessar para a ilha
logo as vozes estão longe
às vezes dá para atravessar andando
mas a maré está cheia e elas carregam coisas
seria bom um piquenique no cais
logo as vozes estão longe
o tempo não parou
só deu um respiro
passagem é o bairro da eterna siesta.


Passagem, Cabo Frio, 03 de janeiro de 2013

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ARARA oculta



Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe assombra?
É isso que afasta teu corpo
do meu
cada vez que você queda sóbria?

Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe fascina?
É isso que aproxima teu corpo
do meu 
toda vez que você queda borracha?

segunda-feira, 19 de março de 2012

¿Cómo estás, Juanita?


Pajarito de canto dulce, mariposita roja, mariquita sin alas.
¿Cómo está todo por ahí?
También llueve en las almas?
Acá el día amaneció ceniza, xôxo xôxo...
(Xôxo pode ser uma coisa pequena, também designa uma pessoa pequena, criança sub-nutrida e de baixa estatura, fruta que não se desenvolveu totalmente mas ficou madura, como cajús , abacaxi , etc.
ou Beijo estalado; beijoca.)
Decerto o dia não despertou com uma beijoca, menos ainda sou fruta. Dizem que tenho cara de caju. E você, que fruta seria?
Nesses momentos de baixas temperaturas internas, nada como um bom livro, café, um papo com amigo, uma criança, um passarinho. Conversei com uma amiga, que está longe e sempre perto, Pepê, sempre me lembro do edredon cor de chiclete que dividíamos na casa verde do grande coração. Lembro também quando atravessando a poça, visitamos o centro noturno do Rio, boteco indicado pelo jornal, entre ruas estreitas, um achado de portuga (se não falha a memória) simpático e oferecedor de boas pingas! Pois ela, saiu de Sampa, voltou para a casa dos pais por trabalho e agora querem que ela volte à capital. Está se sentindo uma hippie urbana, em busca de um lugar que ama, que se sente ela, e que é mesmo a sua cara. A dela. Disse-lhe que é bom romper com a comodidade sempre que possível para viver em um ambiente que trará mais conhecimento, alegria e..pq não..amor! Mas acabo de me lembrar que não existe amor em SP...
E cá na maravilhosa, existe, Juanita?
Y tu bueno corazón, y tus alumnitos, tus clases, ¿como están?
Tan gran persona eres, mismo tan pequetita...
Juanita, ¡tu estrella brilla!
Amiga león del sol, nos ilumine com seus raios esta manhã!

Besos fríos,
Aline.

domingo, 30 de outubro de 2011

En Praga, en Viena
por la noche
a tomar copas.
Vá a poniendo
(años después)
la lucha, la prisión,
el alma.

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