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terça-feira, 27 de maio de 2014

boletim médico

quarto banho do dia
falta uma hora para nova dose
o corpo arrepiando
pelos e peitos
rechaza a água fria
não há outra opção
molha o corpo
tapa os mamilos com as mãos
em vão
nota a unha do pé esquerdo perdendo a cor
molha os cabelos
todo o seu corpo treme
o roxo da toalha colore o rosto
os olhos fundos
os lábios inhame
desliza até o chão e nele fica
mentalmente
fisicamente se arrasta
até a cama
fecha os olhos
sonha
e começa a suar outra vez


                                                                                                                                          março de 2013










quinta-feira, 24 de abril de 2014

à menina

houve uma noite
o pequeno corpo dela
sobre o meu

afaguei-lhe cabelos
- vou acabar dormindo
- será um prazer

adormecemos
pulmões colados
ou seria sua boca sobre os meus

aquele rio de janeiro
como um filme
que meus olhos teimam em narrar

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

da companhia

você que não conheço
que me invade sonhos
e levas minha mão a tocar-te

você que não tem sexo
que me desperta aflita
sem ao lado meu pousar

você que é todos os sexos
que povoa minha mente desperta
trazendo frescor aos dias de verão

você que não nasceu
que não tem corpo ou massa
mas faz-te presente em mim.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

uma aprendizagem ou o sonho dos prazeres

1- Ver um hamster em seu sonho representa emoções reprimidas.
Você está se distanciando das pessoas para não se magoar.
Também pode significar sua postura frente à sexualidade. 
Você consegue separar sexo e amor.


Moça, mas tem daquele ratinho que parece ter corpo de cavalo?

2 - Cavalo: o cavalo é o símbolo da força e da paixão.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

luz-cidez

eu não durmo
fecho os olhos
eu te vejo
eu levanto
quero beijo
ligo então o chuveiro.

eu me deito
eu desperto
eu não sonho
eu levanto
quero cheiro
caminho então, madrugada.

 


o mar me vê
na areia me deito
frisson refresca
vento me carrega
o mar me embala
mergulho então, em você dentro.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

automne ardent

como dividir-se corpo e mente entre cometa e sol se a poeira os afastara em longo outono?
a que boca oferecer-se fruto?
o cavalo corria solto, praia, as mãos atadas sonhavam crina.
a sereia em outro lago
lado tão distante ao seu.
ainda podia sentir o eco de seu chamado de outrora
queimar-lhe peito, ferir-lhe bocas.
desalinho, corpo inverno sem cobertas.
mas sentia fogo.
água? mera ilusão juvenil.
era preciso terra.
terras!
sobre sob junto pelos lados.
do grão úmido da chuva,
sabia,
a mais forte colheita.

sábado, 29 de dezembro de 2012

da hipnose de atena + peixes abissais

tudo junto e misturadin.
já publiquei o poema lido antes: http://outrasbagatelas.blogspot.com.br/2012/11/da-hipnose-de-atena.html
agora tá ilustrado.

finalzin do año, desejos, quereres, ideias.
2013 chega logo mais.
pensar, pensar, criar, correr, amar, no mar.

que veña!
que venga y lindo sea para nosotr@s tod@s!

ps: escribi PENSAR duas vezes. substituir um deles por SENTIR.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

cê lê tu(do)

o rascunho


um beijo quente
precioso.
tudo vermelho
brasa
do fogo.

mas eram terra-terra
terrinha
cavalo selvagem
e abelha rainha.

dois mágicos chá
peleiros malucos
duas andorinhas
fazendo inverno e verão.
cigarro-formigas
compartilhando aquecer
som e pão.

loirices eternas
na infância amarilla
baby e lelê
estrada infinita
gotas no vidro
vestido e sorriso.

narizes que os levitam
feito nos desenhos.
pernas pra viajar
(que seja voando)
pernas pra alcançar
pernas para amar
mãos de encanto e cantos.

carvão, gelo, relógio e flor
tartaruga casca dura.
coração, elo, elogio e cor
tartaruga macia.

e um eclipse lunar
no longo rio
solar.


foto inspiração: colagem da letícia. disponível no facebook da banda.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

da hipnose de atena

Eu prometo que não dormiria
por mais que meus olhos pesassem
não os fecharia.
eu ali, inerte, dura
resistindo aos apelos de Morfeu
deitada de frente a ti
a contemplar tua insônia
fazendo-lhe mil cafunés
você pedindo imobilidade
eu respirando o cheiro forte da química
do teu cabelo em minhas mãos
excita
seus olhos se fecham
mas tornam a abrir
num sorriso suave
que em silêncio diz
viu, não consigo dormir
pisco um dos olhos
eu assassina
você minha vítima.
mas sou eu a prisioneira do seu não-dormir.
quero a intimidade
da liberdade do teu corpo em sono.
ao prometer-lhe a novidade e o prazer
de ser a primeira a dormir
escravizei-me ao sonho teu.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

dos satélites, dos terráqueos e da lua que sorri

sede nos olhos
sono na boca

elvis, madonna
vicky e cristina
em barcelona.

arde o gengibre
fere o tabaco

mordem-se línguas
na meia-luz
do quarto.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ósculos oníricos

a chuva sobre a cidade
pingava
sonhos
pingava passos

formando peixes em calçadas
cavalos

embaçando óculos

na noite sem carros
sem degraus
o horizonte

roedores, dragões
feras noturnas
deuses soltos

entre línguas
entre pontos
entre dobras
e cantos

despertando os sonhos esquecidos
a cada manhã.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

TRAN(S)ÇA

Quero alguém para trançar-lhe os cabelos
Sentar na grama
Sou de terra
Terra.
Terra para os pés, firmeza
Terra para as mãos, carícia
Você deitada
Cabeça em meu colo
E eu a trançar-lhe com os dedos
Cada fio passando por minha pele
Arrepios
E o tempo perene
Embrenhando-a em mim.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Da objetividade subjetiva

Ancoraste em meu
peito
sofrido
Mergulhaste sem máscara
no mar azul da minha
alma
Comeste dos meus peixes
Bebeste em meu fruto
E fundaste enfim
sua presença no meu leito,
mente e tempo
Colonizaste sua tribo em
minha praia
E partiste
Sem prenúncio, sem despedida
sem lábios tão macios e febris.
Partiste e deixaste meu
porto desgovernado
Mediante a promessa
(quebrada)
da sua volta ao meu cais.



para ler ouvindo La Barca.
http://www.youtube.com/watch?v=9_9eYeslevU

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

olhos febris


eu fecho os olhos
estão mornos
você não está aqui
eles molham
(o sal na pele e eu te lambia)
passo a mão pra disfarçar
mas não há como
transbordou, de leve, 
dois rios finos no rosto.

molhou de verdade
não só na poesia,
menina.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

do corte na boca

chorando. corta. sonhei com você. tesão. corta. é hora do show. corta. lápis nos olhos. renda. corta. penélope cruz no alto do prédio. um peixe. corta. mãos na cintura. corta. qual seu nome mesmo? corta. você está exclamando. não chora. apaga esse cigarro. corta. vire a folha. você nunca falou comigo antes. corta. o cabelo. corta. diet shake. corta. não me chame de ciumenta neurótica. era feeling meu. corta. hipócrita. corta. vou sem carro então. corta. que desgraça. força. isso não é uma cantada, juro. tipo exportação. corta. uma, duas, três. um almoço qualquer dia desses. corta. eu acreditava tanto em vocês. corta. vinho. corta. ceveja. corta. eparema. corta. ah não, artista plástica. corta. você também escreve, né? corta. esqueci como se faz. corta. tá cheiro de cigarro? corta. vem. corta. mas eu não fumo. corta. queria tanto (en)cantar. a gente gostava tanto de você. corta. lua cheia. corta.  doce no copo. dose no corpo. corta. corta. corta. ação!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De sueño (do sono, do sonho)

Aquela cama
Aquela luz
O frio lá fora
O calor dentro do quarto
O quentinho do seu corpo dormindo
ao lado do meu,
acolhido.

Sua dor de cabeça, sua angústia
Sua boca palpitando, seu chiado,
seu dormir de bebê

é um refúgio
um esconderijo
onde me afogo
em seus cheiros
me escondo
em seus peitos

E mal posso adormecer
de noite
a te observar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

do vento

sonho como bolhas de papel
folhas de sabão
no céu
sem chão.


Nem pão
nem vinho
nenhum tostão.


tão logo a força
tão urgente a razão.
nem tão.

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