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sexta-feira, 13 de março de 2015

cheguei a tempo de te ver acordar

gostava de dobrar a perna
ficar um pouco de lado e dobrar a perna
levantada
perna direita
coxa
em noventa graus
dormia assim com o travesseiro
qualquer outro pano enrolado
edredom
ou o corpo dela

pode deixar a perna, ela me disse 
tentei ser suave 
mas o corpo pesa 
calor 
aqueles corpos tranquilos 
eu suava 
mas mantinha 
pelo contato 
pelo toque 
pela suavidade daquele momento 
tão macio 
meu corpo suava 
eu sentia calor 
mas queria permanecer encostada 
minha coxa na barriga dela


sábado, 24 de maio de 2014

bang bang little boy

bang bang 
toquei a campainha 
bang bang 
minha boca tocou o copo
 bang bang 
suas mãos tocaram meus pés 

 num instante nem podia supor 
nem ousara por vez em sonho sonhar 
mas meus lábios tocaram os seus 
na infância da praia não vivida 
sua prancha de isopor desmoronara o castelo meu
 minha camiseta branca molhada 
suor e água salgada 
meu biquíni com areia 
eu tinha apenas seis anos 
sua prancha de isopor com seu corpo por cima 
meu choro 
a rebeldia em você 
a rebeldia dos seus onze anos



quinta-feira, 24 de abril de 2014

à menina

houve uma noite
o pequeno corpo dela
sobre o meu

afaguei-lhe cabelos
- vou acabar dormindo
- será um prazer

adormecemos
pulmões colados
ou seria sua boca sobre os meus

aquele rio de janeiro
como um filme
que meus olhos teimam em narrar

terça-feira, 8 de abril de 2014

das deusas L e M (trechos)

fui devota do altar cujo pedestal me era mais próximo, cujo santo eu podia tocar com consentimento, sem disfarces. lucíola era uma deusa _ _ _ _ _ _ _ ora. só perdia em devoção minha para m., a _ _ _ _ora. sou epitelial. mas com lucíola eu precisava da desculpa do toque. cumprimentos de chegada e despedida. mesa de bar: lê minha mão? 
(...)
lucíola, minha _ _ _ _ _ _ _ora deusa. só não mais que você. pois abandonei-a em último dia para ir ao encontro teu, para atender ao chamado teu. o chamado de nossos corpos... que há 24 horas ansiavam pelo encontro: chega mais cedo, a gente toma um vinho, dá uns beijos. o teatro com piano, minha blusa com renda, minha felicidade e rubor pelo teu olhar admirado, a sutil e momentânea inversão de papéis, adorador e adorado. luz no altar. teu eu apoio ao meu, ao lado. euseiquevout. o chamado de nossos corpos que não queriam despedir-se após o bar. tom jobim compôs aqui a garota de ipanema. previsões.
(...)
nos despedimos sem conseguir dizer o que olhos buscavam em bocas mudas.
(...)
eu precisava do seu tão logo escrever, para assegurar-me não delirar sozinha. se tivesses me chamado eu iria. eu sempre iria. eu sempre fui. como fui ao seguinte dia. os corpos não se contentavam com o fón. eram curiosos, corajosos, desbravadores. não estou com clima para festa, metaforizei. você entendeu e ofereceu-me um prato de comida quente. chantageou-me com poema meu. trancei-lhe enfim os cabelos. bonita. levei um filme. não vimos. eu quis deixar ligado na canção-tema. você prefere a realidade dos sons naturais dos corpos, de dentro e de fora.
(...)
a foto que não tirei. o celular que piscava fraca bateria. ainda tenho a imagem em mente, feito sonho antigo. se me concentro, vem: o sofá, a luz do sol descendo rápido escurecendo a mata pela janela, seus pés, a perna dobrada, joelhos para cima, colado à barriga (tão linda, a mais linda que houvera, a pinta prima da minha), aos peitos (tão lindos, os mais lindos que houvera, a surpresa minha), seu corpo sentado ao meu lado, o retrato que meu olhar fazia. as mãos ao pequeno instrumento, a minha música preferida, sua tradução a cada verso, que eu já procurara e sabia, mas não consegui ou quis dizer, você dedicada e leve, o vestido, os dedos, os raios suaves, a voz, o picolé na pracinha, a tua fã de cabelo colorido, uva e limão, nossos preferidos, vocês são artistas?, o vendedor disse uma vez, no aterro, num domingo, aos três.
(...)
lucíola, minha _ _ _ _ _ _ _ora deusa. só não mais que você. pois que faltei-lhe o último dia para ir ao encontro teu. naquela quarta-feira em que juntas entardecemos. posso ficar aqui dentro pra sempre?, perguntei. você riu.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Magdalena I

Magdalena
tinha mirada forte
um olhar de contorno brilhante
delineado
esverdeado
que me penetrava.
Precisava forçar-me séria
para o sorriso não soltar-se
a trair-me.
Mas atrás do copo de cerveja
ela me olhava
(não havia mais ninguém a não
ser os homens velhos
que ainda restavam no bar
oferecendo-nos bebidas).
Ela chamava atenção
acentuada com um lenço
na cabeça
nenhum fio se rebelando
e o rosto forte
imponente.
Não havia nada na mesa
a não ser a cerveja.
Nenhuma distração.
Na rua parou um carro
de polícia
piscava luzes
_ Você parece boate,
ela disse.
E olhava fixo.
Eu,
que me achava tão segura
me via ali,
aberta, vulnerável.
Onde estariam meus anticorpos
que não trabalhavam?
Pára de me olhar assim,
eu dizia,
tapando-lhe levemente
os olhos
em brincadeira.
Ela sorria.
Eu a tocara.
(Em verdade já antes:
cheguei de táxi, chovia
eu molhada
ela me esperava
percebi-a de longe
- míope guarda trejeitos -
atravessamos a rua em seu guarda-chuva
seu braço longo abraçava meus ombros
ela tocara-me.
tremia.)
Jamais lembrarei as palavras ditas
saídas como vômito
de algodão-doce
sem filtro
feito flechas
tentando cegar aqueles olhos de capitu
que me petrificavam
e me botavam a falar
como doida
ou criança com sono,
quizás.
Fechou-se o bar.
E aquela rua tão movimentada
de dia!
Parecia viagem
parecia outra cidade.
Sempre gostei do frescor e silêncio
da noite.
As ruas com poças
ainda da chuva.
Sombras coloridas nos olhos
um homem passa
um carro passa
um rato passa
não há ninguém além da noite
já começo de amanhã.

(continua..?)


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

do escrito no bloco de notas do celular de madrugada



Por um momento eu te ouvia.
E era só tua voz ao redor daquela janela fria.
Uma noite abafada.
Odeio calor mas achei bonito teu cabelo grudado
no rosto de suor.
Quis tirar.
Mas sabia do meu risco,
o perigo do toque.
Você falava.
Eu desejava tua boca
como
há tempos
não me hipnotizavam assim.
Meus olhos em tua boca querendo-a
na minha.
A vontade da tua pele
teu hálito
teu cheiro
e dor.
A vontade de fazê-la mais feliz.
Ad
(e aqui acho que adormeci)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

pq ela faz isso comigo? I

- desculpe, não dá, estou apaixonada por outro.
- então pare de encostar!
- mas é bom encostar.
(e a noite segue nessa dinâmica assim)

tema:
http://letras.mus.br/paula-toller/46798/

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