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terça-feira, 27 de maio de 2014

boletim médico

quarto banho do dia
falta uma hora para nova dose
o corpo arrepiando
pelos e peitos
rechaza a água fria
não há outra opção
molha o corpo
tapa os mamilos com as mãos
em vão
nota a unha do pé esquerdo perdendo a cor
molha os cabelos
todo o seu corpo treme
o roxo da toalha colore o rosto
os olhos fundos
os lábios inhame
desliza até o chão e nele fica
mentalmente
fisicamente se arrasta
até a cama
fecha os olhos
sonha
e começa a suar outra vez


                                                                                                                                          março de 2013










terça-feira, 28 de maio de 2013

fónzinho

boca já sangrava do frio
palavras.
verdades?
calor no peito
dor de barriga
recuerdos coloridos
frio repentino

a vida segue sempre um destino
momentos.
escolhas?
alguma lágrima
algum sorriso
banho com trilha sonora
e depois dormir mansinho.

o caminhão já passou
é hora do anjos se despedirem.

segunda-feira, 11 de março de 2013

FIZ SURAS

Nas costas corria um rio
de suor do caminho
em sol
[maior.

O rosto enfermo cora
coraline
corraline
que já é passada a hora.

A porta vai se fechando
vai-se
esvai-se em fissuras
tão mínimas

que você mesma ajudou a fazer.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

mil cafunés

quando alguém está doente e se diz "dodói" ou "doentinha" é porque precisa de:
aconchego
água gelada na cama
vento fresco 
colo
cafuné.

Tu és manjar de reis
Dos mais finos canapés
Mas agora é minha vez
De te fazer mil cafunés
Quero a tua nudez
Da cabeça aos pés
Quero que sem timidez
Tu chupes picolés
Quero que tu me dês
Tudo que tu és


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

sua cherry bomb

viagem de carro
chuva fina na estrada
em turnê
internacional

o automóvel está cheio
de sons
de beijos
de rostos tão conhecidos

acordar numa cama de hotel
com lençol no corpo
e patins nos pés

o vidro do carro pinta manchas
no colo e na testa
selvagens e sem sutiã

cherie
o amor é uma ampulheta
e se não nos detivermos?
que tal nós nos derretermos?

vorazes
todos
delirar é sobrevivência

a melhor cidade
da américa do sul
você tão precisa
você precisa

falando da vida
beijando virilha
nos preenchendo

os grandes espíritos se encontram
todo canalha é magro
nós não temos vergonha.






quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

cê lê tu(do)

o rascunho


um beijo quente
precioso.
tudo vermelho
brasa
do fogo.

mas eram terra-terra
terrinha
cavalo selvagem
e abelha rainha.

dois mágicos chá
peleiros malucos
duas andorinhas
fazendo inverno e verão.
cigarro-formigas
compartilhando aquecer
som e pão.

loirices eternas
na infância amarilla
baby e lelê
estrada infinita
gotas no vidro
vestido e sorriso.

narizes que os levitam
feito nos desenhos.
pernas pra viajar
(que seja voando)
pernas pra alcançar
pernas para amar
mãos de encanto e cantos.

carvão, gelo, relógio e flor
tartaruga casca dura.
coração, elo, elogio e cor
tartaruga macia.

e um eclipse lunar
no longo rio
solar.


foto inspiração: colagem da letícia. disponível no facebook da banda.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

da juventude dela I

a menina deitava na cama, olhando para o teto.
a vida lhe doía.
as tardes quentes e silenciosas molhavam seus olhos azuis.

do tempo


Há doze dias eu fiz falta na sua noite.
Há dois dias você já faz falta na minha vida.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

estrelar

Você quer ser lembrada
Quer ser reconhecida
Pra sempre
Inesquecível
Não cabe em nomes
Em cores
Imagens
Nada nunca basta
Teu tempo é outro
Talvez não saiba
Mas você já é
Você já marca
Você já fica
Como aquelas todas
Você ecoa
Você azeda
Você disfarça
Mas já deve saber
Desde criança
O cisne negro
A fera ferida
A cara tão boa
A louca varrida
Tantas Diniz, Lees, Limas e Maçãs
Nada se vai
Não há coincidências
Ou toca
Ou não toca
Tapete vermelho
Insônia e preguiça
Você não passará
Você passarinho
Você terra grande
Você também fogo, água, ar
E ninho.
Três da madrugada
Você estrondo e ruído
Como se um anjo viesse ao chão.
Tão sorriso
Tão olhos
Tão anna bella
Tão pele viva.
Um dia ainda vão fazer um filme sobre você.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

do frisson

mas o olhar...
ah, do olhar ninguém escapa.
é deixar-se ver para tudo voltar.
suspiros, calor no peito,
esquecimento da dor.

ah, pobre donzela,
de mim fugiste
foi tão fácil para você.
mas não contavas com o encontro dos olhos.
olhar-se nos olhos é como despir-se em bocas nuas.

e toda essa nudez será castigada
com a nudez da pele, do toque
por toda uma tarde,
noite adentro,
bem junto,
tão dentro.

ah, donzela,
por que subestimastes o poder de uma mirada?
(mirando e buscando,
teus olhos,
miranda,
da sacada).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Da objetividade subjetiva

Ancoraste em meu
peito
sofrido
Mergulhaste sem máscara
no mar azul da minha
alma
Comeste dos meus peixes
Bebeste em meu fruto
E fundaste enfim
sua presença no meu leito,
mente e tempo
Colonizaste sua tribo em
minha praia
E partiste
Sem prenúncio, sem despedida
sem lábios tão macios e febris.
Partiste e deixaste meu
porto desgovernado
Mediante a promessa
(quebrada)
da sua volta ao meu cais.



para ler ouvindo La Barca.
http://www.youtube.com/watch?v=9_9eYeslevU

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

olhos febris


eu fecho os olhos
estão mornos
você não está aqui
eles molham
(o sal na pele e eu te lambia)
passo a mão pra disfarçar
mas não há como
transbordou, de leve, 
dois rios finos no rosto.

molhou de verdade
não só na poesia,
menina.

do beijo, da distância.


ai, queima-me a boca,
arde em febre,
tão seca
tão quente
tão pedindo um beijo seu.
pra molhar.
pra corar.
e tornar quente de novo.

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