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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

do escrito no bloco de notas do celular de madrugada



Por um momento eu te ouvia.
E era só tua voz ao redor daquela janela fria.
Uma noite abafada.
Odeio calor mas achei bonito teu cabelo grudado
no rosto de suor.
Quis tirar.
Mas sabia do meu risco,
o perigo do toque.
Você falava.
Eu desejava tua boca
como
há tempos
não me hipnotizavam assim.
Meus olhos em tua boca querendo-a
na minha.
A vontade da tua pele
teu hálito
teu cheiro
e dor.
A vontade de fazê-la mais feliz.
Ad
(e aqui acho que adormeci)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

dois passos para frente


dois passos para frente
um para trás
assim era sua valsa
perto e longe, comigo
na vida.

mas quando de wisky
era samba agarrado
apertando nossos corpos
deixando seu perfume e cigarro
na camisa.

ARARA oculta



Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe assombra?
É isso que afasta teu corpo
do meu
cada vez que você queda sóbria?

Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe fascina?
É isso que aproxima teu corpo
do meu 
toda vez que você queda borracha?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

da aula

A mão corria automaticamente no caderno.
E somente quando faltava apenas uma letra para completar seu sobrenome notei que não havia escrito o nome da professora, ou a data, ou disciplina.
Sem perceber, escrevera você.
Risquei.
Um mantra?
Sentira você na pele a maciez da escrita minha?
Não olhe, ou coro.
De pavor dos olhos seus.
Graúna de trança e fios soltos.
Tudo nela era noite.

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