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segunda-feira, 27 de maio de 2013

automne ardent

como dividir-se corpo e mente entre cometa e sol se a poeira os afastara em longo outono?
a que boca oferecer-se fruto?
o cavalo corria solto, praia, as mãos atadas sonhavam crina.
a sereia em outro lago
lado tão distante ao seu.
ainda podia sentir o eco de seu chamado de outrora
queimar-lhe peito, ferir-lhe bocas.
desalinho, corpo inverno sem cobertas.
mas sentia fogo.
água? mera ilusão juvenil.
era preciso terra.
terras!
sobre sob junto pelos lados.
do grão úmido da chuva,
sabia,
a mais forte colheita.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ARARA oculta



Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe assombra?
É isso que afasta teu corpo
do meu
cada vez que você queda sóbria?

Já pensastes?
Morar comigo durante um tempo
em outro país-cidade?
É isso o que lhe fascina?
É isso que aproxima teu corpo
do meu 
toda vez que você queda borracha?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Da objetividade subjetiva

Ancoraste em meu
peito
sofrido
Mergulhaste sem máscara
no mar azul da minha
alma
Comeste dos meus peixes
Bebeste em meu fruto
E fundaste enfim
sua presença no meu leito,
mente e tempo
Colonizaste sua tribo em
minha praia
E partiste
Sem prenúncio, sem despedida
sem lábios tão macios e febris.
Partiste e deixaste meu
porto desgovernado
Mediante a promessa
(quebrada)
da sua volta ao meu cais.



para ler ouvindo La Barca.
http://www.youtube.com/watch?v=9_9eYeslevU

quinta-feira, 22 de março de 2012

da luz

O sol dentro dos seus olhos iluminava-me. A cada piscada nascia o breu em mim. Que pavor do escuro breve, que pavor perder-me nos olhos teus!

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