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segunda-feira, 14 de julho de 2014

da noite em que oxóssi encontrou yemanjá

lua cheia
de ponta cabeça
somente se via

iluminava
todo
o corpo dela
a cara dele

pendido o pescoço
suspensa as pernas
patas cheias de saliva

pedidos e ordens
supervisionados
servir-se e sorver

perdidos os sentidos
controle e vontade
mata selvagem de prazer

caçar sem pudor
caça ser em louvor
corpo um só

banho de terra
banho de mar
autorretrato luna llena
cavar e espumar
espumar
espumar


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

da companhia

você que não conheço
que me invade sonhos
e levas minha mão a tocar-te

você que não tem sexo
que me desperta aflita
sem ao lado meu pousar

você que é todos os sexos
que povoa minha mente desperta
trazendo frescor aos dias de verão

você que não nasceu
que não tem corpo ou massa
mas faz-te presente em mim.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

da não revelação


não perdi-me entre pintas e pernas
confundindo peitos ancas axilas

não beijei-a violentamente
mordendo-lhe a boca ao sugo
faltando-lhe o ar

não toquei seus lábios quentes
com a delicadeza do fazer-se pérola

não baguncei-lhe os cabelos
roçando-me em costas nucas

não comi-lhe a linda barriga
não farejei dos pés à cabeça

não dancei sobre seu corpo
não corri selvagem com os lobos

não cuspi não chorei não sorri
evitei o olhar o maior tempo que pude

temi

não queria ao final
roubar-lhe a caça de ti.

terça-feira, 16 de abril de 2013

da constatação

e de madrugada
para a nuca
enviando beijos
se constata:

à distância a covardia é válida.


 
tu as le tropique dans le sang et sur la peau

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

do flash 2

Ela1 ouviu um barulho e acordou sem abrir os olhos.
Escutou a porta do quarto gemer e a voz de Ela2 a despertar-lhe:
- Eiiii... tá acordada?
E diante da sua afirmativa com o polegar -continuava deitava de bruços na cama, sem mover-se - ouviu a outra rir:
- Sério, tá todo mundo acordado, só falta você.
Silênco absoluto na casa, entrecortado por grilos e sapos, talvez.
Ela1 levantou o rosto do travesseiro e olhou a janela: breu:
- Looooooooooouca, tá escuro, não tem ninguém de pé. É insônia, é?
- Também. Me faz companhia?
- Se você conseguir me acordar...
E sente o edredom passando por seu corpo, deixando-o com frio. Ela2 o puxara.
Encolheu-se abraçando o travesseiro a esconder o rosto que sorria, fazendo certo charme na voz:
- Assim não, né?
Sente um peso no canto da cama e de repente uma lambida suave na parte de trás do joelho:
_ Assim?
Ela1 vira-se, toda em sorrisos.


primeiro flash em: http://diariodeumaescritorapreguicosa.blogspot.com.br/2012/10/do-flash.html

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

do jogo

eu odeio joguinhos
mas com você
tenho que fazer
pois se eu for eu
você não vai querer.

ai caramba carambola caramujo cambalacho
ai caveira casca dura cascavel e rapadura.


trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=yKV2WdyyCQw
rarara

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

do tremor da gruta fria

de súbito despertei
(de frio
de cerveja
de espumante
de imagens
de você)
os olhos PLÁ!
abriram
e aos segundos me situei
percebi-me quase nua
sem coberta
plainando ao lado do seu corpo em sono
(repito-me em versos)
tive receio que despertasses
(não sei o porquê).
horas antes eu não sentia-me em transe alcoólico
cabeça que não libera o corpo
de pronto.
despacito
levantei-me em blusa
meu peito frio
deixei aurora a dormir
não havia mais ninguém.
uma gata dormia na rede
outra acompanhou-me
até a geladeira
dois copos d'água
quatro mulheres em casa
cios e miados
silêncio e pão na janela
tentei distrair-me do álcool
agora tão tardiamente vivo
em mim.
voltei.
o quarto tão frio
você não parecia sentir
tentei a coberta
(notei que fechara as cortinas)
você dormia por cima dela
tão entregue
tão serena
que eu não podia acordá-la
(também por aquilo do receio).
sua presença
ainda que dormindo
me trazia insônia
mas eu precisava dormir
para não vê-la acordar.
consegui cobrir uma perna
a parte canhota do corpo tremia
pensei mudar de lado
mas o corpo cansado
aconchegou-se
delicadamente
ao seu
e dormiu.
dormiu que só o notei
quando do outro acordar
(ainda não último).
mexemo-nos
aurora abraçou-me
com braços e cabelos
proibindo movimentos ao meu corpo
notei que estávamos agora
cobertas
não sei de certo quando
você nos aqueceu
pena,
não vi.
senti seu perfume
inebriou-me e desacordou-me.
acordaria uma hora mais tarde
sentindo-lhe desperta.
com receio de abrir os olhos
e saber,
abri.
(ou então,
pois não me lembro,
eu levantara outra vez
e dera de comer às fêmeas,
à caça em terreno desconhecido,
e retornando à gruta
presenciei-lhe abrir os olhos)
bom dia!
sorri sem disfarces
sem máscaras alcoólicas
deitei ao seu lado
para que não levantasses
pois que era o grande momento
(in)esperado: e depois?
e respondi-lhe junto às cigarras:
oito e meia.


trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=6meCeevzWZo 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

do escrito no bloco de notas do celular de madrugada



Por um momento eu te ouvia.
E era só tua voz ao redor daquela janela fria.
Uma noite abafada.
Odeio calor mas achei bonito teu cabelo grudado
no rosto de suor.
Quis tirar.
Mas sabia do meu risco,
o perigo do toque.
Você falava.
Eu desejava tua boca
como
há tempos
não me hipnotizavam assim.
Meus olhos em tua boca querendo-a
na minha.
A vontade da tua pele
teu hálito
teu cheiro
e dor.
A vontade de fazê-la mais feliz.
Ad
(e aqui acho que adormeci)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

do bairro preferido


cada ruela deserta
cada trecho
chão em flor
a brisa
o papo nas cadeiras de praia na esquina da igreja
a praça serena
um homem apenas
o boteco exótiko
e o restaurante chique
o corredor de janelas azuis da eterna casa do príncipe
as casas sem muros
o bairro mais antigo
o cachorro que passa e olha
os tantos barquinhos do cais
não parece que o mundo parou
parece um refresco
o pescador tira a água do barco com um potinho
o senhor de blusa e sunga passa com seu boné, tênis e rede para pescar
não há barulhos
passa um jet ski
a moça de maiô está sendo fotografada
passo de bicicleta e ouço o radinho ligado em uma casa
tento mas não consigo ver seu interior
meu desejo é conhecer o interior dessas casas, dessas vidas
duas mulheres com adolescente meninas passam falando sobre gelatina
vão pegar o barco para atravessar para a ilha
logo as vozes estão longe
às vezes dá para atravessar andando
mas a maré está cheia e elas carregam coisas
seria bom um piquenique no cais
logo as vozes estão longe
o tempo não parou
só deu um respiro
passagem é o bairro da eterna siesta.


Passagem, Cabo Frio, 03 de janeiro de 2013

domingo, 30 de dezembro de 2012

do pretérito imperfeito


Vibra o celular.
Eduardo me lembrando do casamento
não ocorrido.
Do moço que parou, juntou-se a nós no bar e disse:
- Se eu tivesse uma batina, casava vocês agora.
- Veja como ele te olha, ele te ama!
(disse na nossa frente)
José era seu nome, assim, para simplificar.
Sabia das coisas da geografia e do amor.
Deu-nos conselhos.
Me acompanhou até o longe banheiro:
- Ele que devia estar aqui. E se eu fosse um homem mau?
Eu deveria tê-lo escutado.
José, minha memória já apagara você.
Porque diabos ele veio agora, de longe,
refrescá-la?
Y ahora, José?

sábado, 29 de dezembro de 2012

da hipnose de atena + peixes abissais

tudo junto e misturadin.
já publiquei o poema lido antes: http://outrasbagatelas.blogspot.com.br/2012/11/da-hipnose-de-atena.html
agora tá ilustrado.

finalzin do año, desejos, quereres, ideias.
2013 chega logo mais.
pensar, pensar, criar, correr, amar, no mar.

que veña!
que venga y lindo sea para nosotr@s tod@s!

ps: escribi PENSAR duas vezes. substituir um deles por SENTIR.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

da juventude dela I

a menina deitava na cama, olhando para o teto.
a vida lhe doía.
as tardes quentes e silenciosas molhavam seus olhos azuis.

do tempo


Há doze dias eu fiz falta na sua noite.
Há dois dias você já faz falta na minha vida.

sábado, 1 de dezembro de 2012

da boa dor

Sabe quando você acorda
com o corpo doído (doido)
como se tivesse passado
a tarde toda
na academia?

Pode ser isso.

E podem ser mil outras coisas.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

da hipnose de atena

Eu prometo que não dormiria
por mais que meus olhos pesassem
não os fecharia.
eu ali, inerte, dura
resistindo aos apelos de Morfeu
deitada de frente a ti
a contemplar tua insônia
fazendo-lhe mil cafunés
você pedindo imobilidade
eu respirando o cheiro forte da química
do teu cabelo em minhas mãos
excita
seus olhos se fecham
mas tornam a abrir
num sorriso suave
que em silêncio diz
viu, não consigo dormir
pisco um dos olhos
eu assassina
você minha vítima.
mas sou eu a prisioneira do seu não-dormir.
quero a intimidade
da liberdade do teu corpo em sono.
ao prometer-lhe a novidade e o prazer
de ser a primeira a dormir
escravizei-me ao sonho teu.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

do frisson

mas o olhar...
ah, do olhar ninguém escapa.
é deixar-se ver para tudo voltar.
suspiros, calor no peito,
esquecimento da dor.

ah, pobre donzela,
de mim fugiste
foi tão fácil para você.
mas não contavas com o encontro dos olhos.
olhar-se nos olhos é como despir-se em bocas nuas.

e toda essa nudez será castigada
com a nudez da pele, do toque
por toda uma tarde,
noite adentro,
bem junto,
tão dentro.

ah, donzela,
por que subestimastes o poder de uma mirada?
(mirando e buscando,
teus olhos,
miranda,
da sacada).

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