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quarta-feira, 7 de maio de 2014

azul

a casa
o jardim
céu de estrelas sobre mim

sou azul
tão azul
vaga-lume
louva-deus
louva meus eus

(é uma musiquinha mas não tive coragem
 de compartilhar cantando)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

amarelo e azul

bela manhã de sol
a pele ardia em fogo
distante da casa fria

pele gélida pedindo calor
pele quente pedindo água

nadar
voar
dançar em blue
boiar
sentir o corpo livre na atmosfera líquida
dormir ao sol
entregar-se

onde está agora a luz?
envolta tudo escurece.

a gente olha agora pela janela e vê o breu.
"o que vejo é o beco"

quinta-feira, 30 de maio de 2013

trânsito astro(não)lógico

Toda azul tua presença,
(Magdalena),

     Rodoviária. Cinco. Saens Peña. Lapa. Dois. Laranjeiras. Central. Dois. P. do Flamengo. Urca. Expresso.
     Passam os ônibus na longa Jardim Botânico. Refresco-me. Saravá!
     Tantos Rodoviária devem ser um sinal de que preciso viajar. Procuro sinais. Procurei pintas. Daria para desenhar treze constelações astrais no teu corpo, cometa.
     Os Voluntários dessa Pátria, o que ganham se chegam ao céu? Das vezes que me levastes lá, éramos todos voluntários experimentais em busca de aventura, suor, prazer (e afeto, eu).
     As três marias viraram poeira. Mas as partículas se entrelaçaram para sempre. No espaço (com o vento, com o tempo) formam nuvens. E quando o destino (se) assim o quiser, choverá. Ojalá!

tantos beijos,
(ainda que para mim não suficientes)
Carmen.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

domingo, 30 de dezembro de 2012

do pretérito imperfeito


Vibra o celular.
Eduardo me lembrando do casamento
não ocorrido.
Do moço que parou, juntou-se a nós no bar e disse:
- Se eu tivesse uma batina, casava vocês agora.
- Veja como ele te olha, ele te ama!
(disse na nossa frente)
José era seu nome, assim, para simplificar.
Sabia das coisas da geografia e do amor.
Deu-nos conselhos.
Me acompanhou até o longe banheiro:
- Ele que devia estar aqui. E se eu fosse um homem mau?
Eu deveria tê-lo escutado.
José, minha memória já apagara você.
Porque diabos ele veio agora, de longe,
refrescá-la?
Y ahora, José?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

do frisson

mas o olhar...
ah, do olhar ninguém escapa.
é deixar-se ver para tudo voltar.
suspiros, calor no peito,
esquecimento da dor.

ah, pobre donzela,
de mim fugiste
foi tão fácil para você.
mas não contavas com o encontro dos olhos.
olhar-se nos olhos é como despir-se em bocas nuas.

e toda essa nudez será castigada
com a nudez da pele, do toque
por toda uma tarde,
noite adentro,
bem junto,
tão dentro.

ah, donzela,
por que subestimastes o poder de uma mirada?
(mirando e buscando,
teus olhos,
miranda,
da sacada).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

trechos de conto em andamento... A hífen MAR

"_ De onde você veio?
 _  Eu vim do fogo, sereia.
(Ela falava pausadamente e saboreando as palavras. [Dessas pessoas que valorizam vírgulas.] Por vezes fechava os olhos para enfatizar algum instante.)
 _ Eu não gosto das pessoas que vem desse país. Na verdade gosto muito, e sempre. Me fascinam. Ao ponto que não cabe mais em mim conhecer alguém desse lugar. Já está tudo muito apertado aqui dentro, sabe? E bagunçado também. É que uma vez que conheço esses estrangeiros nunca mais consigo desconhecer."



"Perguntaram-se os nomes. Os passados, as músicas. Descobriram-se muito parecidas. Nos gostos, nos gestos, nas palavras, no amar."


"(Quem ainda usa isso? Tão antigo. Tão diferente, é bonito até. O antigo.)
 Ele estava de costas para a sereia ajeitando algo no barco que ela não soube dizer o que era. (De certo está a ancorar)."


"Ainda que cinza, apesar de castanhos, os olhos da sereia possuiam certo brilho da pequena alegria que lhe causava aquele horário do dia.
A sereia sempre vinha à beira para sentir o entardecer, fazer parte dele."

"E foi que avistou o barco pequeno e seu peito a sufocou de tamanha euforia que passou a habitar ali. Em si."

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