quinta-feira, 9 de julho de 2009

Nua e crua

Revirando escritos antigos a gente se depara com nós mesmos, com o que fomos ou pensávamos que éramos, com o que não somos mais ou ainda somos.
Encontrei esse texto de janeiro de 2007, meu, sobre mim. Como se me olhasse num espelho, nua e crua.
A essência que fica.
O que muda e se vai, esvai?


"Nua e crua.

Aline gosta de música. Boa música. Gosta de cantar, e dançar e pular. E gosta de fazer sorrir.
Ela ri sem graça. Gargalha. Tem vergonha. Chora de rir.
Ama esmalte escuro mas rói as unhas. Ama ler. E tem preguiça. Até de comer (que também ama).
Ama também a madrugada , seu silêncio. E seus barulhos secretos e discretos.
Conversa e brinca com crianças. E as observa. Adora o universo dos pequenos, mas detesta ser chamada de infantil. Porque no fundo sabe que é. ("Mas só um pouquinho, né?")
Fala tudo no diminutivo, mas isso sai naturalmente, e quer evitar.
Pensa, pensa, nossa(!), pensa muito. Mas é sempre o coração que resolve, toma a liderança. Porque ela se deixa mandar. Nem que seja por si mesma. Ou por outras "ela mesma" que inventa. E inventa muitas, que se assusta quando escapam do seu comando.
Odeia quando as situações escapam de seu controle. Planeja, faz listas e idealiza tim-tim por tim-tim. Então quebra a cara. Não só por isso. Mas também quando fala demais, e depois se arrepende, mas depois não dá mais.
Chora.
Muito. Com filme, com música, com palavras ou gritos de alguém. De feliz, de triste, de sentir-se só. Tantas vezes. E procura O colo. Nem sempre tem. E chora baixinho, encolhido,discreto. e sozinha chora alto. Às vezes chora e olha no espelho.
Gosta de admirar, a ela e ao mundo. Observa, analisa, julga (com isso também quer parar). De tanto analisar, encontra defeitos. Em si e nos outros. E o mundo desaba: "Eu não sou perfeita?(!)". E deságua: "Por quê fez isso comigo?".
Se decepciona porque acha que deveriam todos ser como ela. Se comportar da maneira que ELA julga ser correta.
É às vezes egoísta - um dia deixará de ser? - mas tem bom coração. Gosta de ajudar, carinhar, felizar! Só não é muito boa para escutar ( gostaria de melhorar).
Dá mais do que recebe. Quase sempre. Não liga, até gosta. Mas já achou ruim.
Fala "eu acho que" quando tem certeza e "pode ser" para dizer sim.
Pensa em ousar.Em tudo. Na vida. Mas não consegue. Algumas vezes experimenta mas não prossegue. Não dá. Essa máscara não é a sua. Mas qual será?
Queria ser cantora, uma grande escritora. Ter coluna semanal. E nunca está onde gostaria de estar. (Até que ultimamente isso anda diferente. Por quê será?).

07/01/07"

domingo, 31 de maio de 2009

O jardim está florido mas a flor não está lá.
(nem o pranto é capaz de florecê-la)
Foste o vento que a levaste daqui?
(o vento, o tempo)
Quê a faria desmurchar?
(e ela o quer?)
Melhor o esquecimento.
(mas você não o quer.)

Flower não é flor...

(...mas eu te dou o meu amor, little flower)

Pensamentos floream rastros sin luz. Um buscar incansável, êxtase obscuro de prazeres yá olvidados. Fogos de artifício, montanha russa, ahora tinieblas. Na escuridão do quarto a luz entra pela falha da cortina, obrigando os olhos a levantarem o adormecido espírito cansado:
_ Levanta, pra vida!


Os carros, as pessoas, os homens da construção,
eles não sabem o peso dos olhos meus.
Nem os porcos, os corpos e copos virados na noite
sabem que minhas pernas, automáticas, levam meu corpo para caminhos que não escolhi.
Nem as flores murchas sabem que murcho eu também.
O choro da criança, o quente do pão, o cheiro do verde.
Eu passo, vazia.
Não sabem.
Menos saberei eu.

(20/05/09)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Serenata na janela
ou mensagem virtual.
Não há pomba,
Não há paz,
Esta noite em meu lençol.

Corre zebra, cotia, tatu
pelos montes no quintal.
Voa pomba,
Chove chuva,
Adormeço em madrigal

08/03/09
_ O que você sente?
_ Gosto.
_ Mas gosta como?
_ Gostando...
E a avestruz se esconde junto àquilo que não consegue explicar.

sábado, 11 de abril de 2009

Quadrinha das namoradas de Millôr


Luisa que me alisa,
Ana que me acanha,
Mariana que me ama,
Na cama.



(mas a quadrinha é minha.)


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