quinta-feira, 6 de agosto de 2009
luna llena
Ela me estendeu a mão. No escuro da fila do banheiro, dançamos um jazz. O som da bateria ritmava o abraço e minha mão tocava de leve suas costas por dentro da blusa quente.
rainha de maio
Ela abriu os braços e olhando para o céu escuro cantava "vento de maio", embaixo o asfalto e o silêncio noturno do centro da cidade. Tive vontade de pendurar-me em um abraço e pender-lhe pelo pescoço, feito cachecol. Mas mantive as mãos no bolso do casaco. Protegida do frio, de mim, de nós.
sábado, 1 de agosto de 2009
quando o coração cala
_ Oi!
(Oi,tudo bem? Quanto tempo não nos falamos. Parece que foi ontem que...Seu cabelo cresceu. Bonito esse vestido. Quer dizer que você está morando aqui? Nossa e a gente nem se vê. Tem um livro seu lá em casa. Ai, sabia que sonhei contigo? Foi semana passada, uma festa, tinha cafuné, que carinho bom. E esse barrigão? Vocês vão morar juntas? E a família, de boa? Vamos combinar uma cerveja, todos nós, todos e todas! Ah, sim, ou um café, pode ser.)
_oi.
polyana
Gostava de deitar assim, de braços e pernas abertos, como um X, ou uma estrela do mar, a olhar as estrelas e nuvens do céu.
sábado, 18 de julho de 2009
Sri é logo ali
Demorei seis meses para saber que seu pai era do Sri Lanka. Foi assim, no meio de uma conversa, como se fosse a coisa mais natural do mundo ter um pai cingalês.
_ Ahn, Sri Lanka? Nossa, eu nem sei direito onde fica.
E ela me mostrou várias fotos lindas, digitando o país no google. Achando graça de toda minha curiosidade.
Para mim, ela deveria sempre se apresentar assim:
_ Prazer, Mariana, meu pai é do Sri Lanka.
Não?
_ Ahn, Sri Lanka? Nossa, eu nem sei direito onde fica.
E ela me mostrou várias fotos lindas, digitando o país no google. Achando graça de toda minha curiosidade.
Para mim, ela deveria sempre se apresentar assim:
_ Prazer, Mariana, meu pai é do Sri Lanka.
Não?
A mãe afegã
para rubens pereira e renata galdino
O menino não queria estar ali. Debruçava a cabeça nos braços, sobre a mesa. A mãe afagava dizendo: "O Rubens tá aqui para te ajudar, meu filho". Mas ele não estava querendo ter a aula particular: "Rubens, conversa com ele?" E lá ia eu, cheio de argumentos em meio à groselhas e bolachas que sua mãe nos trazia em bandeijas de prata e dengo.
Dei a aula. No final, falei que ele não podia tratar a mãe assim, que o estudo era importante e blablablá. A mãe agradeceu e desabafou, que o criara sozinho, o quanto era difícil, coisa e tal.
Ela era bonita, gaúcha, tão frágil que fiquei entre as condições de profissional e amante. Mas fiz o que sempre faço em situações de conflito: nada. Ela fechou a porta e saí.
Fui chamado outras vezes. Acho que ela pagava mais pelos meus sermões que pela explicação. No segundo dia dei a aula e no final nova conversa com o garoto. Na terceira aula só ensinei e fui embora, sem bolachas ou papo. Que pagasse um analista, que eu era professor e não padrasto particular!
Dei a aula. No final, falei que ele não podia tratar a mãe assim, que o estudo era importante e blablablá. A mãe agradeceu e desabafou, que o criara sozinho, o quanto era difícil, coisa e tal.
Ela era bonita, gaúcha, tão frágil que fiquei entre as condições de profissional e amante. Mas fiz o que sempre faço em situações de conflito: nada. Ela fechou a porta e saí.
Fui chamado outras vezes. Acho que ela pagava mais pelos meus sermões que pela explicação. No segundo dia dei a aula e no final nova conversa com o garoto. Na terceira aula só ensinei e fui embora, sem bolachas ou papo. Que pagasse um analista, que eu era professor e não padrasto particular!
Nova História Colorida
Ela era capricórnio
eu, virginiana convicta
mas meu ascendente era no signo dela
e a lua dela em mim...
A lua dela em mim!
eu, virginiana convicta
mas meu ascendente era no signo dela
e a lua dela em mim...
A lua dela em mim!
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