domingo, 19 de janeiro de 2014

d'um futuro

um dia, um dia
quero morar em caraíva
na bahia
o rio na frente
o mar atrás
ruas de areia
e numa casa amarelinha
ser sua vizinha.
foto de internet d'um lugar qu'inda não fui

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

cuido do meu jardim


Cuido das flores, do verde da varanda, do mato.
Gosto do mato também. Um tem pontas de flocos brancos feito espiga.
Não tiro.
Não é afinal tudo vivo?
Não é uma loucura linda dizer que planta é um ser vivo?
Me soa quase equívoco.
Vivo para mim é sinônimo de animal.
Vegetal animal.
Perco gerações cuidando das plantas.
Ganho.
Às vezes é preciso cortar os galhos secos finos, para que vejamos melhor as cores.
Para que as flores que ainda resistem à seca dos olhos de deus possam ser a memória “viva” de que há muito por brotar.
Precisamos dar motivos para deus chorar.
Corto as plantas e me sopram esses versos.
Elas.
Como gratidão.
Molho meus olhos.
Elas precisam dos olhos de deus.
Meus dedos alguns negros da terra umedecida.
Distraída cortei um ramo de pequenas flores amarelas.
Pecado original.
Eva, a jardineira fiel.
Se eu fosse flor, de certo seria amarela.
Uma amiga escreveu certa vez.
É preciso doação.
É preciso olhar além.
Viver presente.
Zelar, manter, molhar, tocar, adubar, ver crescer.
Enquanto o azul do céu teu não lhes goza,
Serena adoro.
Cuido do meu jardim como cuido de você.
essa beleza aqui: http://www.youtube.com/watch?v=gw8HuqP9XjA
res ins pirou-me, sumandose a eso un poco: http://www.youtube.com/watch?v=zsKQ2E0Sk6A
y colei uns versos acrescentando míos para chegar enfim.
é um experimento que retomei, não roubem minha ideia.



Eu entro em cena. Me sinto tão pequena perto de você com seu cabelo enroladinho.
Todos os encantos vejo em você.
Aplausos.
Eu me vejo tão bonita em você.
Chego na cidade.
Coração suado. Da tempestade do seu céu azul dos olhos seus.
Um amor de vento pra secar.
As luzes da cidade acesa clareando a foto na carteira.
Essa nova bossa.
E o tempo é outro, outro o lugar, outra a afinação.
Os tigres brancos, a vida carnaval, a razão nenhuma.
O teu jeito que é só eu de por a blusa.
Sou mar.
Somar.
No canto para acalmar a dor morena.
Eu quis te conhecer.
Deitar, cobrir a culpa, ficar sobre você, no abrigo do teu sorriso.
Pra te encantar
Voando.
Caminhamos em linhas tortas, abrimos janelas, atrevidos.
Nada é em vão.
Eu entendo seu depois. Eu aprendo. Quem ensina? Me leva?
Corre que eu te encontro.

do regresso

lista dos pequenos prazeres e estranhezas do retorno ao lar passados 3 meses:

- ao redor nada mudou
- ser recebida por uma barata mal educada no portão de casa que nem se afasta com a forte pisada ao lado
- ouvir música brasileira no rádio do táxi
- tomar banho até a ponta dos dedos enrugarem
- dormir nua
- pensar que comerá pão de queijo, arroz mil grãos, açaí e MATE gelado
- abraços e beijos y.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

da noite passada

sensitiva?
neurótica?
não sei.
só sei que dói
supor.
menos evoluída do que pensava(mos).
Ainda faltam algumas encarnações por vir.
a nós dois.
três.

entrevista

Ano de solidão?
Ah, claro.
Sem falar nas abobrinhas.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

concha de corazón

húmeda. 
concha de corazón de criatura humana, 
corazón que es un pequeño bebé inconsolable.
alejandra pizarnik


así que no nací en el mar
pero la sangre en mis venas sí
ahí pronto descubrí:
mi cuerpo es concha, mi alma es sal.

no hay distinción
no hay sexo
solamente una concha
que solo se puede abrir con amor
es la única llave
la única clave
para abrirme
a mí misma

ave salada
en la playa me siento
cuando en la playa estoy
soy

si te acercas del borde
me sorbe
en beso
si zambulles
una pérola
qué buscar
a mano
- y saliva

pues que tanta tierra hay
que si no mojas
el viento me lleva
cierra ojos
y vuelo a pelos

si lloro es que me encanta la pesca
me hago carnada de tu deseo

mil novecentos ochenta y cuatro
fantasías, olas, pez
asfixia, manos, bebés
no hay esquinas

en la arena
la máquina escribe
a mano
a piel
en el aire
no escribo sola
mi nena adentro es sensible sirena
y te invita 
sin verguenza
sin razón
tengo concha de corazón.




domingo, 8 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

noite carioca - ana cristina césar


diálogo de surdos, não:
amistoso no frio.
atravanco na contramão
suspiros no contrafluxo
te apresento a mulher mais discreta do mundo:
essa que não tem nenhum segredo.

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