sábado, 14 de março de 2009

Aninhar


Aninha em meu peito
essa dor, calor crescente.
Adormece em meu abraço
cada fuga dos teus olhos.
Acarinha com seus dedos
lábios meus já tão carentes.
e Anoitece em câmera lenta
junto à mim e ao amanhecer.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A medida em que penetrava
descobria aos poucos aquele ser.
Passo a passo, dia a dia, vida a vida.
Como bonecas russas,
aquela boneca continha várias em si.
Cada despetalar trazia uma novidade.
E aprisionada em seus infinitos,
sabia já impossível voltar atrás.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tic,
Ela sabia, ela sabia.
Por isso aquele olhar,
aquele sorriso.
Ela sabia,
não era aceitação.
Ela sabia que eu seria
passada para tras.
Tac.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

cabeças a mil

Diferente de Marina e seus Corações a Mil, estou com a cabeça assim.
Pilhada.
Disfarçadamente,
Tagarelante.
Alba: E o coração, e a alminha?
Tudo,tudo!
Nani: É seu coração palpitantemente incansável.
Que não me deixa dormir.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008


No momento não posso te atender.
Mas após o sinal, me deixe uma mensagem de amor.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2008


"Quizá nosotros somos las palabras que cuentan lo que somos."






eduardo galeano, "el libro de los abrazos"


Vitória vai te fazer esquecer as flores vermelhas.

São Paulo, cada amanhecer, cada canção.

Recife, os beijos, enfim.


E eu, quando não penso em mais nada, acabo pensando em você.



23/12.
para ouvir: um auê com você - baby do brasil

domingo, 7 de dezembro de 2008

Palavretas de Varetas - Um

Vou fazer como a ana louca e escrever sem fim
em infinito, de ré, pra frente, e sertanejo, se vier.
e tanta coisa que se junta, tanta palavra divertida,invertida,
dá enjôo, é legal, resultado desmontado num banquete de misturas
sinestésicas, de amor, e de luz.
Alfinetes me espetam e espetam as idéias em fluxo,
voltagem adversa de verso, inverso, reverso,
convexo sem nexo, repeteco sem fim!



Conhecem o blog da cantora/artista Ana Cañas?
Deliciem-se em seu papo de bar:
http://www.anacanas.com/blog/Blog.aspx



Pensei:
"acho bonito olho brilhando."
Não parece uma frase a la Macabéa?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Nublando


Aquele grupo de amigos com suas duas filhinhas me incomodava ao mesmo tempo em que confortava. É que adoro saber o cotidiano alheio, a vida. O que farão depois da praia? Vieram de carro? É provável, havia refrigerantes e cervejas, cadeiras de sol. Ou morariam perto. Eu não tinha cadeira. Só uma canga, cheia de areia desse vento rude, canga bonita, aliás. A menor das meninas percebeu, não a beleza: É, Carol, quem não traz cadeira fica no chão. Achavam que eu não ouvia. A verdade é que não havia mais música, porém os fones continuavam em meus ouvidos. Gosto desse disfarce. Como os óculos escuros.


Também gosto de crianças. São sinceras, autênticas e emotivas. Cada qual do seu jeito. É ótimo ver uma bailarina ou um batman caminhando de mãos dadas com a mãe, pela rua. Ou se encantando com cachorrinhos que seus pais nunca querem levar para o apartamento. Crianças são luz, quando os pais as permitem.


As meninas da praia estavam com frio, uma pedira ao pai sua camisa e ficara uma graça com aquele blusão que ia até seus mínimos pés. E brincavam com o vento. Elas voavam: Cê ta parecendo o super-homem!


Uma mulher veio pedir-me que vigiasse seus pertences enquanto ia dar um mergulho. “Moça”, me chamou. Aos vinte e quatro anos sou moça? E tia? Sei que menina não chamam mais... Corajosa ela, a água deve estar gelo. Espero ter essa coragem também, não há sol.


Os pais amigos falavam de carnaval, viagens e Sesc de Grussaí. Uma beleza, eles diziam. Bem sei. Mas que farão após a praia? Não sei quantos eram, mas pensei casais, dois. Um homem para cada mulher, uma filha para cada casal. Queriam dormir juntas: “Deixa ela ir brincar lá em caaasa?”. Os pais riam, que a pequena a meia-noite acordaria querendo seus pais. Parece durona, mas deve ser manhosa. É engraçado como algumas amizades se perdem. Ou se transformam.


Um rapaz também curtia o final de tarde na praia, e me intrigava, com uma barraca dessas de armar, pequenininha. Depois, do mar, surgiu a jovem, e da barraca tirou um bebê, dormindo enroladinho. Enquanto o segurava, o possível pai desmontava o berço improvisado e juntava tudo numa bolsa. Família pequena, jovem e bonita. Ao chegar à casa a mãe daria banho no pequeno enquanto o pai prepararia algo quente para comerem. E depois de dormir o filho, ficariam de chamego ouvindo boa música, ou mesmo tv. Talvez. E o grupo de amigos com suas filhas? Que farão depois da praia? Que farei eu?


Aline Miranda. OUT/08

domingo, 26 de outubro de 2008

Desabafo


  • Eu gosto muito do Fernando Gabeira pensador, escritor, lutador. Tenho alguns livros e até os levei pra que ele autografasse pra mim, numa palestra ótima que ele deu no CCBB - Rio no ano passado, creio. Foi ótimo conhecê-lo naquele instante. E melhor ainda foi saber de sua candidatura à prefeitura do Rio. Não voto no Rio, mas fiquei torcendo e conversando sobre ele com muitas pessoas. E ouvindo, e divulgando suas idéias e palavras.
  • Infelizmente o povo ainda não percebeu que é preciso incentivar os bons políticos. Adoro o cara e achei uma pena. A diferença entre os votos foi tão pequena! Mas é bom que as pessoas - não só os cariocas, porque o Brasil estava todo na expectativa - comecem a rever o que é a política e a quem ela deve beneficiar ( se aos políticos ou ao povo). Acho que ainda posso continuar vendo "um novo começo de era, de gente fina elegante e sincera". Tomara! Porque "sonhos não envelhecem...".
  • Parabéns pela coragem,Gabeira. E quem perde não é ele, mas o Rio. Mas que o resultado da eleição seja um sinal de que a democracia está surgindo, lenta mas enfim!

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