terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

peitos de veraneio

vagueio de saia e sem blusa pela casa
corpo ao natural
faz muito calor
me sinto uma índia velha e gorda
mas uma índia
e essa alegria de sê-la
espanta qualquer vaidade
ou pudor.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

pra nunca mais

como uma rápida facada
na cabeça
assim ela descrevia a dor

instantes-segundos de tortura
eu sem poder
olhos d'água
mãos tentando cobrir
o choque injusto
minhas mãos atadas sobre o colo
no banco de trás

quantas vezes voltaria
o pavor ao crânio dela?

cruel roleta-russa
dardo fantasma a atacar
queria ser escudo
como proteger
e evitar?

a flecha não avisava chegada
tomando banho
dormindo
no cinema
no gozo
lavando louça
no banco do ônibus cruzando o flamengo

quisera segurar-lhe a cabeça
com ela
apertar o corpo junto
ostra
abraçar
beijar-lhe toda depois
concha
carinhar

mas as mãos sobre o colo no banco de trás.

PALAVRAS, Uma foto em mil

[escrito em foto achada (surpresa!), perdida, sozinha, em uma pasta chamada "rascunho" do email, datando 2009]

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

letrinha sem música

aline miranda seco ferreira
subiu a ladeira
e fechou a torneira

não saboreou
nem um tiquinho
do meu amor

não quis vir me ver
do bairro desdenhou
pediu um copo d´água
depois me entornou

mal sabe ela não sabe
que o mundo gira em vão
da vida ela não sabe
que eu sou sua cama e pão
wave, sambinha bom
desafinado coração
de papelão

chorei, ela perdoou
cantei, ela desaguou
menti e ela fingindo
beijou e acreditou

talvez não fosse mais verão

Talvez já tivesse passado o tempo
Talvez não fosse mais verão
Mas as costas e peitos
suavam
revelando o suor noturno
Sol dentro dos corpos
cabelos em grampos
A solidão acompanhada
em copos de cerveja gelada
e whisky com gelo
sobre a mesa.

Quisera corpos sobre a mesa
Quisera corpos dentro do carro
Quisera um não querer mais
de sucessivas paixões vãs

Mas era verão
inevitavelmente

a cerveja já quente
a cachaça gelada
o batom vermelho
o isqueiro vermelho
sempre perdido
e pedido.

Pedidos-eclipses
Pisca o olho
Qual seu olho de mira?


(16 para 17 de fevereiro de 2013, ganhando uma hora com o fim do horário de verão.)

Sobre a trilha sonora: Ouvindo a introdução de uma canção na rádio (sky) achei ser a da "tesoura do desejo" que me lembrava uma pessoa do passado, brega como eu.  Não era tal música. Mas fui procurar a letra completa que eu desconhecida e eis que tal desejo caía agora como uma luva para  o poema. Luva negra e elegante como a donzela de preto de que falamos todos nós. Eu, Alceu, Zizi...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

mil cafunés

quando alguém está doente e se diz "dodói" ou "doentinha" é porque precisa de:
aconchego
água gelada na cama
vento fresco 
colo
cafuné.

Tu és manjar de reis
Dos mais finos canapés
Mas agora é minha vez
De te fazer mil cafunés
Quero a tua nudez
Da cabeça aos pés
Quero que sem timidez
Tu chupes picolés
Quero que tu me dês
Tudo que tu és


domingo, 17 de fevereiro de 2013

dialogue imaginarium

sabe, as pessoas são humanas. sim, até os mitos, caroline. 
- disse ele nesse diálogo imaginário que acabei de criar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

gerundiando

eu tinha o poder de ver através de seus olhos
meio verdes, meio assim não sei que cor.
tantas delas nesse tom.

tom feito para perder-se.
arder
e morrer.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

novelyña

a ponte ruyu
o syno tocou

a estrela sorryu
o que a terra lygou

a dystâncya mentyu
o que o álcool revelou

o coração sentyu
o ymaturo apagou


a concha servyu
e a antyga contou


fez da poeyra pedra
e o pesadelo fundou.

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