sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

pra nunca mais

como uma rápida facada
na cabeça
assim ela descrevia a dor

instantes-segundos de tortura
eu sem poder
olhos d'água
mãos tentando cobrir
o choque injusto
minhas mãos atadas sobre o colo
no banco de trás

quantas vezes voltaria
o pavor ao crânio dela?

cruel roleta-russa
dardo fantasma a atacar
queria ser escudo
como proteger
e evitar?

a flecha não avisava chegada
tomando banho
dormindo
no cinema
no gozo
lavando louça
no banco do ônibus cruzando o flamengo

quisera segurar-lhe a cabeça
com ela
apertar o corpo junto
ostra
abraçar
beijar-lhe toda depois
concha
carinhar

mas as mãos sobre o colo no banco de trás.

Um comentário:

Mariáh Oyarzabal da Luz disse...

A dor hoje está em todos os posts...

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