sexta-feira, 7 de novembro de 2014

da arte de rasgar-se

do amor quando siamês

Ela pinta os lábios de vermelho
molha a boca em chopp e diz:
não aguento mais música-canção

Ela tem a bokaloka
estampada na camisa branca
estampada no sorriso debochado
estampada no meu pescoço em arrepio

Ela pinta, trança e engoma os cabelos
brinca com minhas mãos para que eu dance
brinca com meus fios para que eu me liberte

Não se acanha, não se abala
e veste os óculos escuros no circo voador para disfarçar
(ou para proteger-se dos caretas e covardes)

Ela veste um jeans rasgado:
"Foi a vida quem rasgou"
nunca acredito
mas passo o dedo para conferir a textura

Com a voz macia envolvente
a aquariana à frente de seu tempo
se despede desiludida:
"Não tem rasgação na música contemporânea"

Ata as madeixas louras
veste o casaco
sinaliza uma nave
e parte.




3 comentários:

Anônimo disse...

~ poema sonho bom ~
<3

Dianna disse...

cheguei!
incrível!
na verdade, não achei adjetivo =)

cantonholi disse...

passei por aqui, aguardo sua visita: www.micropoetricidade.blogspot.com

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