segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

memória medicinal I

sou difícil pra tomar remédio
uma época eu tomava vitamina
centrum
partia em três com uma faca
e bebia com iogurte
uma frescura só
na época do pré-vestibular
eu tomava um para memória
chamava memoriol
juro
minha mãe disse que desde bebê
fui fraquinha
imunidade baixa
toda hora doentinha
ela, jovem e em outra cidade
chorava, tadinha.
mamei pouco no peito.

domingo, 13 de janeiro de 2013

pq ela faz isso comigo? I

- desculpe, não dá, estou apaixonada por outro.
- então pare de encostar!
- mas é bom encostar.
(e a noite segue nessa dinâmica assim)

tema:
http://letras.mus.br/paula-toller/46798/

sábado, 12 de janeiro de 2013

a boazinha heim: parou a bicicleta para olhar o cais

parou a bicicleta para olhar o cais.
a vida girava em sua cabeça
por mais sereno que seu rosto parecesse
sabia que um encontro seria estarrecedor
ela sabia
nada podia fazer

(continua...)



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

da conclusão em vão

"eu nunca estive tão apaixonada"
um dia depois, uma nova paixão.
será o amor ilusão?

signos de terra tem pele sensível


passando a esponja pelo braço esquerdo
embaixo da água fria
senti doer
ali, perto do ombro
tirei a espuma
marca alguma
só a lembrança sensorial
da vacina
de uma mordida enjaulada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

do bairro preferido


cada ruela deserta
cada trecho
chão em flor
a brisa
o papo nas cadeiras de praia na esquina da igreja
a praça serena
um homem apenas
o boteco exótiko
e o restaurante chique
o corredor de janelas azuis da eterna casa do príncipe
as casas sem muros
o bairro mais antigo
o cachorro que passa e olha
os tantos barquinhos do cais
não parece que o mundo parou
parece um refresco
o pescador tira a água do barco com um potinho
o senhor de blusa e sunga passa com seu boné, tênis e rede para pescar
não há barulhos
passa um jet ski
a moça de maiô está sendo fotografada
passo de bicicleta e ouço o radinho ligado em uma casa
tento mas não consigo ver seu interior
meu desejo é conhecer o interior dessas casas, dessas vidas
duas mulheres com adolescente meninas passam falando sobre gelatina
vão pegar o barco para atravessar para a ilha
logo as vozes estão longe
às vezes dá para atravessar andando
mas a maré está cheia e elas carregam coisas
seria bom um piquenique no cais
logo as vozes estão longe
o tempo não parou
só deu um respiro
passagem é o bairro da eterna siesta.


Passagem, Cabo Frio, 03 de janeiro de 2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

corte e costura


Tenho observado um coser.
Na pele do meu antebraço direito.
Há tempos tenho uma espécie de cravinho persistente.
Hora ou outra cismo em cutucar, tento içar com pinça, com o intuito de ver o buraquinho que fica. 
Mas acabo por ferir a pele toda ao redor.
Só noto depois.
É um ciclo-pacto entre mim e meu corpo.
E dias depois, eis que o milagre da pele começa a agir.
As bordas grudando como se costuradinhas, casquinha, e vermelhidão dando lugar ao rosado.
Tudo bem lentamente.
É vida.
Amo corpo.

pena a qualidade do celular ser tão ruim.
a poesia às vezes (tantas) não é ficção.
 e vejam que as linhas na ferida parecem formar um coração.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

hell p me

folhas verdes. folhas secas. folhas molhadas. verde-marrom-verde-marrom. formiga carrega semente redonda azul. água escorre. tempo não corre. cachoeira me socorre.

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