terça-feira, 30 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
Palavretas de Varetas - Um
em infinito, de ré, pra frente, e sertanejo, se vier.
e tanta coisa que se junta, tanta palavra divertida,invertida,
dá enjôo, é legal, resultado desmontado num banquete de misturas
sinestésicas, de amor, e de luz.
Alfinetes me espetam e espetam as idéias em fluxo,
voltagem adversa de verso, inverso, reverso,
convexo sem nexo, repeteco sem fim!
Conhecem o blog da cantora/artista Ana Cañas?
Deliciem-se em seu papo de bar:
http://www.anacanas.com/blog/Blog.aspx

Pensei:
"acho bonito olho brilhando."
Não parece uma frase a la Macabéa?
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Nublando
Aquele grupo de amigos com suas duas filhinhas me incomodava ao mesmo tempo em que confortava. É que adoro saber o cotidiano alheio, a vida. O que farão depois da praia? Vieram de carro? É provável, havia refrigerantes e cervejas, cadeiras de sol. Ou morariam perto. Eu não tinha cadeira. Só uma canga, cheia de areia desse vento rude, canga bonita, aliás. A menor das meninas percebeu, não a beleza: É, Carol, quem não traz cadeira fica no chão. Achavam que eu não ouvia. A verdade é que não havia mais música, porém os fones continuavam em meus ouvidos. Gosto desse disfarce. Como os óculos escuros.
Também gosto de crianças. São sinceras, autênticas e emotivas. Cada qual do seu jeito. É ótimo ver uma bailarina ou um batman caminhando de mãos dadas com a mãe, pela rua. Ou se encantando com cachorrinhos que seus pais nunca querem levar para o apartamento. Crianças são luz, quando os pais as permitem.
As meninas da praia estavam com frio, uma pedira ao pai sua camisa e ficara uma graça com aquele blusão que ia até seus mínimos pés. E brincavam com o vento. Elas voavam: Cê ta parecendo o super-homem!
Uma mulher veio pedir-me que vigiasse seus pertences enquanto ia dar um mergulho. “Moça”, me chamou. Aos vinte e quatro anos sou moça? E tia? Sei que menina não chamam mais... Corajosa ela, a água deve estar gelo. Espero ter essa coragem também, não há sol.
Os pais amigos falavam de carnaval, viagens e Sesc de Grussaí. Uma beleza, eles diziam. Bem sei. Mas que farão após a praia? Não sei quantos eram, mas pensei casais, dois. Um homem para cada mulher, uma filha para cada casal. Queriam dormir juntas: “Deixa ela ir brincar lá em caaasa?”. Os pais riam, que a pequena a meia-noite acordaria querendo seus pais. Parece durona, mas deve ser manhosa. É engraçado como algumas amizades se perdem. Ou se transformam.
Um rapaz também curtia o final de tarde na praia, e me intrigava, com uma barraca dessas de armar, pequenininha. Depois, do mar, surgiu a jovem, e da barraca tirou um bebê, dormindo enroladinho. Enquanto o segurava, o possível pai desmontava o berço improvisado e juntava tudo numa bolsa. Família pequena, jovem e bonita. Ao chegar à casa a mãe daria banho no pequeno enquanto o pai prepararia algo quente para comerem. E depois de dormir o filho, ficariam de chamego ouvindo boa música, ou mesmo tv. Talvez. E o grupo de amigos com suas filhas? Que farão depois da praia? Que farei eu?
Aline Miranda. OUT/08
domingo, 26 de outubro de 2008
Desabafo

- Eu gosto muito do Fernando Gabeira pensador, escritor, lutador. Tenho alguns livros e até os levei pra que ele autografasse pra mim, numa palestra ótima que ele deu no CCBB - Rio no ano passado, creio. Foi ótimo conhecê-lo naquele instante. E melhor ainda foi saber de sua candidatura à prefeitura do Rio. Não voto no Rio, mas fiquei torcendo e conversando sobre ele com muitas pessoas. E ouvindo, e divulgando suas idéias e palavras.
- Infelizmente o povo ainda não percebeu que é preciso incentivar os bons políticos. Adoro o cara e achei uma pena. A diferença entre os votos foi tão pequena! Mas é bom que as pessoas - não só os cariocas, porque o Brasil estava todo na expectativa - comecem a rever o que é a política e a quem ela deve beneficiar ( se aos políticos ou ao povo). Acho que ainda posso continuar vendo "um novo começo de era, de gente fina elegante e sincera". Tomara! Porque "sonhos não envelhecem...".
- Parabéns pela coragem,Gabeira. E quem perde não é ele, mas o Rio. Mas que o resultado da eleição seja um sinal de que a democracia está surgindo, lenta mas enfim!
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Despedida
(língua, pele, gattai, morango, notas musicais)
Tantas culpas, tantos medos, e os lençóis...
tantos risos, e olhares sem palavras.
infinito.
astrais.
Apenas uma noite,
suficiente pra não esquecer.
apenas uma lágrima,
escondida,
pra você não ver.
A toalha ainda estava, na esperança da volta
de nunca mais.
Nunca mais?
Serpentinas colorias
pela rua
que agora a chuva molha.
domingo, 21 de setembro de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Serenou
Gosto da chuva do outro lado da janela
A força dos pingos no vidro
A lágrima que escorre em espaços vazios
O quarto frio, frio piso, peito frio, frio...
Gosto da noite e seus silêncios
Suspiros, medo, aconchego ou solidão
Passos aflitos na calçada, nas esquinas, na arrebentação
e o mar...
Gosto da lua que é a mesma para nós,
nua.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
música nascendo...
"pensei que fosse verdade
teu nome na beira do mar.
(sombra correndo montanhas)
teu rosto em todo lugar."
sábado, 29 de março de 2008
Vivia a buscar no jardim, borboleta com asa em disfarce de flor.
Guardava pétalas, outrora comia, organizava por cores.
Como tenho amarelas, pensava.
E queria sempre mais.
Nas pequenas mãos as flores não bastavam. O bolso do vestido era solução, cesto contra vento e chão.
Correr não queria. Esconder também não. Gostava de olhar.
Podia passar horas olhando formigas, pássaros, gente.
E nuvens.
Como deve ser morar no céu?
E ansiava tocá-lo, senti-lo, respira-lo.
Os braços estendidos, a boca aberta sugando o ar, como nuvens doces de algodão.
Desejo ser um bem-te-vi! Levantar vôo do chão!
Os olhos se abriam e no verde ainda estava, e sorria.
É que o pequeno canteiro fazia dela grande girassol.
Aline Miranda.
29/11/07
04h30
Foto: Clara na Fonte do Itajuru, Cabo Frio.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
:)
Posso pintar, mas as estações não são iguais.
Cada instante é navio que parte,
mesmo junto não reflete o improvável da vida.
Quero, procuro, estou.
Depois, nada. O assim, assim é.
Não sou quietude,
sou plenitude,
sou fim.
14/07/06
Aline Miranda / Juliana Veiga
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Assim que o sol raiou,
Assim que a manhã surgiu,
uma janela se abriu para ver a estrela que morreu.
Em meio ao grande jardim,
Girassóis, formigas, gafonhotos.
Nenhum corpo celeste estava.
Entre os passos acelerados,
Entre a fumaça dos carros,
Olhos saltavam e buscavam qualquer perdida luz.
Na areia fina e branca
A onda sem quase brancura
Presenteava com pequenos mares
As mãos ali molhadas.
E numa hora assim,
como qualquer outra,
Num instante sem sinos,
Surgiu a estrela na beira.
Seguiu dura e fria
para as mãos macias, com zelo
e depois para um cavado gelado.
Um beijo e o fim.
A janela então se fechou na segurança de papel cumprido.